domingo, 1 de maio de 2011

Hamlet e a Idade das Trevas

Os personagens da tirinha do Hagar são vikings, povo que vivia na região da Escandinávia, no norte da Europa. Nos séculos VIII e IX, provavelmente pressionados pelo aumento populacional, os vikings invadiram, pilharam e ocuparam a costa norte da Europa.

BROWNIE, Dik. "O Melhor de Hagar, o Horrível 3". Porto Alegre: L&PM,
2007, p.58.
Na tirinha acima, o Hamlet (filho de Hagar) lamenta viver em uma época de guerras e insegurança e comete um anacronismo ao usar o termo "Idade das Trevas" por volta do ano 1000. Por que?

terça-feira, 26 de abril de 2011

Encontro com as estrelas

No último domigo, reencontrei a menina que brincava de exploradora do espaço em tardes mágicas que pareciam ter ficado aprisonadas no passado. Tudo graças à equipe do programa Astronomia no Vale do Aço, que neste final de semana esteve no Parque Estadual do Rio Doce. Eu, a Profa. Micheline, o Prof. Sandro e muitos outros tivemos a oportunidade de ver o Saturno e a Lua bem de perto, como se estivessem ao alcance de nossas mãos. Aliás, em meio à exuberância da natureza do Parque e à imensidão do espaço, nossa insignicância é inegável.
 
 
Já que falei dela , votem na enquete Qual é a Lua mais bonita?  
 
 
Eu e Micheline admirando o céu estrelado.


De olho em Saturno.


Pausa para a foto.
 
 
Parabéns a equipe pela maravilhosa iniciativa e fique atento à programação do projeto no blog Astronomia no Vale do Aço.

sábado, 2 de abril de 2011

Civilizados X Bárbaros

De 1929 até a sua morte, o desenhista Hergé produziu "As Aventuras de Tintin". Hoje, muitas de suas estórias nos causam estranhamento e mal estar pelo tom preconceituoso de alguns HQs, mas não podemos pensar a obra a partir de nossas questões e crucificá-la. É muito mais interessante debatermos o porquê desses elementos estarem presentes ali. Tomarei novamente essa discussão em outro momento. Por hora, separei uma tirinha em que o "darwinismo social" aparece de forma crítica e clara. Nela, a missão filantrópica que as "civilizações" julgam ter em relação aos "povos bárbaros" é expressa com maestria.






Hergé. As aventuras de Tintin - o loto azul. Rio de Janeiro: Record, p.6-7.


terça-feira, 1 de março de 2011

A História Vive

Texto usado no 1º dia de aula
           
             
              A História sempre foi cultivada.  De todas as ciências sociais, deve ser a mais antiga.  Há rudimentos de Sociologia, Economia e outras na Antigüidade, mas uma configuração razoável dessas disciplinas é recente:  da Economia, na 2a  metade do século XVIII; da Sociologia, só no XIX.  Poder-se-ia lembrar que o Direito e a Filosofia são milenares, mas a História deve ser anterior, pois não se concebe o homem sem preocupação pelo passado, como pelo presente e futuro.  Ele é essencialmente marcado pelo tempo, seja quanto à sua idade pessoal, seja quanto à época que lhe é dada a viver.  Mesmo em textos muito antigos aparece o interesse histórico: assim na mitologia, de princípio indeterminável, nas sagas e lendas, nos poemas.
            A Bíblia é pronunciadamente histórica, preocupada com o processo social, detendo-se nas origens, na genealogia. Antes de Heródoto havia relatos e narrativas e até explicações de trajetórias dos homens e sociedades. No mundo clássico houve historiadores notáveis, na Grécia e em Roma, em busca de explicações.  A Idade Média também os conheceu.  Eles se multiplicaram a contar do século XVI, na superação da crônica.  No XVII aumenta o número, que atinge maior vigor no XVIII.   Já no XIX, entretanto, há mais maturidade com as técnicas de tratar os documentos, a leitura e a decifração de escritas antigas, mais preocupação com o social em ciências como a Política, a Economia, a Sociologia, que dão instrumental para melhor entender  a realidade pretérita ou presente, com o surgimento de novas nações e o desejo de superar dificuldades, o que leva ao estudo do desenvolvimento de povos ou questões, em perspectiva temporal.
            Sempre houve equívocos quanto à História.  Talvez o principal seja seu vínculo ou confusão com o passado, o historiador visto como alguém preso ao dia de ontem.  O equívoco custou  a ser desfeito, embora já na antigüidade grega se fizesse a História da atualidade, como se vê em Tucídides. O comum foi negar o atual como História.  Ora, a categoria básica desse conhecimento é a temporalidade, supondo passado, presente e futuro.  Se este pode ser posto de lado enquanto objeto de estudo – pois descamba para especulações discutíveis como a escatologia ou o fim dos tempos, ou a recente futurologia, não mais que exercícios sobre as possibilidades de quanto acontece --, o atual ou contemporâneo é do domínio do historiador.
            A História não é o saber do antiquário, mas do homem preocupado com seu destino, sua origem e seu estado atual. Preocupava-o, essencialmente, sua realidade. Quer entendê-la, dominá-la, superá-la.  Vem a ser, então, sobretudo dinâmica, matéria viva, que empenha as criaturas na luta por melhor situação e não no culto saudosista de outras eras.  A justa compreensão do sentido histórico faz do homem alguém integrado em seu tempo, ao contrário do suposto pelos  que cultivavam a disciplina apenas para endeusar a pátria, a religião, a família, em práticas distorcidas e condutoras a falsificações de todo o tipo. Quem não está em sintonia com sua época não pode entender outras épocas, é claro.
            Para entender melhor a História, é preciso voltar-se para o coletivo, não para as individualidades excepcionais – o superado culto do herói.  Para o concreto, as formas de produção econômica, as classes sociais configuradoras de toda a sociedade.  Impõe-se o cotidiano – o comer, o vestir, o morar, o trabalho, a educação, a saúde, as idéias e as crenças, os sistemas de pensamento e as religiões, a produção intelectual como a arte, a ciência, como também para o lazer, o amor, as formas de convivência.  É mais importante o conhecimento das bases materiais da vida que a série de príncipes, reis, chefes de Estado, generais e líderes religiosos.  O cotidiano e as mentalidades conformam os costumes, as atitudes.  Entender esse quadro conta mais que a descrição de uma batalha ou de guerras. 
            Essa é a compreensão atual da História.  Cabe um papel decisivo na pedagogia ao professor, que não deve apelar para a decoração de nomes e datas, mas para o entendimento do processo social, única forma possível de tomar posição  no complexo quadro de disputas de grupos e interesses – cada vez mais vivo em nossos dias e no futuro pelo crescimento populacional, pelas disparidades na distribuição das riquezas, pela permanência de privilégios.  A história mostra que o homem só vive em função da liberdade e esta supõe a igualdade de condições para todos. 


Texto adaptado a partir de IGLÉSIAS, Francisco. A História vive.  Revista sala de aula, abril de 1989.