Amanhã acontecerá no auditório uma palestra sobre a definição, os estatutos e a organização das eleições para o Grêmio Estudantil, organizada pela Mônica.
É simplesmente lamentável a manipulação da imprensa. A "grande" mídia insiste em menosprezar a crescente mobilização em apoio aos bombeiros do Rio (Veja aqui). No Jornal Nacional apareceram algumas imagens da Cinelândia, provavelmente gravadas pela manhã. Na reportagem afirmava-se que o protesto restringia-se aos bombeiros e "alguns" simpatizantes. Bom, veja o vídeo abaixo e me diga se é possível que o Corpo de Bombeiros tenha um efetivo dessa expressividade, sem que a população tenha se sensibilizado pelo desrespeito com que esses homens foram tratados?
Retaliação à ocupação dos bombeiros no Quartel Central da Corporação
Retaliação ao protesto dos bombeiros por melhores salários,
vale-transporte e condições de trabalho adequadas.
Os professores da rede estadual do Rio de Janeiro aderiram ao protesto, entendendo que a insatisfação com o desrespeito dispensado pelo governo do Estado com seus servidores não é exclusividade do Corpo de Bombeiros. Os docentes do estado ganham por volta de R$ 700 e não encontram disposição do governador Sérgio Cabral em negociar e atender as reivindicações da categoria. Portanto, os professores entraram em greve por tempo indeterminado e uniram-se as centenas de manifestantes no centro da cidade.
Embora pertença a rede federal de ensino, sou solidaria à causa dos meus colegas de trabalho. Segue abaixo, alguns versinhos enviados por amigo que é professor da rede estadual carioca, duvido que em Minas a coisa seja diferente. É fácil reclamar da má formação de nossos professores estaduais e da sua falta de entusiamo em sala de aula, mas ponha-se no lugar deles um minuto antes de voltar a depreciar esta profissão. Eu amo o meu ofício e tenho muito orgulho dele, mas toda vez que um amigo (a) que leciona nas escolas municipais e estaduais do nosso Brasil demonstra o mesmo profissionalismo e afeto pela profissão fico emocionada e, por vezes, constrangida.
Eu devia estar contente Porque fiz graduação, pós, Mestrado e Doutorado E tenho um emprego Sou um dito cidadão respeitável E ganho 700 reais por mês
Eu devia estar alegre e satisfeito Por receber auxílio transporte
Pela incorporação do Nova Escola
Parcelado em não sei quantas vezes
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso Por ser um Educador Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente Por ter conseguido passar num concurso público Mas confesso abestalhado Que eu estou decepcionado
Eu devia estar feliz pela SEEDUC Ter me concedido o sábado Pra ir ao colégio
Me informar sobre a GIDE
Ah! Mas que sujeito chato sou eu Que não acha nada engraçado GIDE, Plano de Metas, Meritocracia, Concurso interno,avaliações externas Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho Se sentir um monitor Saber que é Professor Que só pode usar O Currículo Mínimo oficial
E você ainda acredita que é um Gestor, Adjunto, OGT, Coordenador Regional Que está contribuindo com sua parte Para melhorar o nosso belo quadro educacional
Eu que não me sento Dentro da sala de aula Com a boca escancarada cheia de dentes Esperando o bônus chegar
Porque longe das promessas feitas na eleição Esconde-se um governo Que não tem um projeto sério De Educação.
No fim das contas, quem precisa de bombeiros e professores, não é mesmo? Por que tratá-los com respeito? É isso aí, Sérgio Cabral ... Chame o BOPE novamente e institua o Ato Institucional nº 5 no Estado do Rio de Janeiro. Falta pouco para o senhor suspender de vez todas as liberdades democráticas, como direiro de greve e de livre manifestação.
Em tempos de acirrada censura, os artistas utilizavam-se de inúmeros subterfúgios para romper o silêncio, o mais comum era o uso e o abuso de metáforas ou alegorias como ferramentas na composição de suas canções. Mesmo assim, na maioria das vezes bastava ser um “velho conhecido” da Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) para ter seu trabalho vetado, como Geraldo Vandré, Sidney Miller e Sirlan. Esta era também a situação de Chico Buarque, que no ano de 1973 teve sua peça “Calabar” censurada e consequentemente as músicas do álbum que levaria o mesmo nome, lançando no seu lugar o LP “Chico Canta.” Após esse episódio, percebeu que ficaria cada vez mais difícil gravar alguma música de sua autoria.
Optou, no ano seguinte, por lançar o álbum “Sinal Fechado”, com músicas de outros compositores, com exceção de “Acorda Amor.”Essa atitude não significou que tivesse sucumbido à censura, ao contrário, tornou-se mais uma forma de demonstrar sua insatisfação como artista e cidadão brasileiro. Desde a capa até as músicas escolhidas, o álbum exalava indignação. Mesmo impedido de compor, Chico Buarque criou novas formas burlar a repressão e protestar. Uma das mais criativas foi a invenção do pseudônimo Julinho da Adelaide, para passar suas músicas pelos censores, em outros posts falaremos desse episódio.
Capa do albúm "Chico Canta"
O título escolhido para o álbum já era um forte indício das intenções do artista, como muitos outros, comprometido com a denúncia à repressão. Outras faixas permitem entrever seu protesto, como “Festa Imodesta” ou “Me Deixe Mudo”. Deautoria de Caetano Veloso, a primeira composição prestava homenagem ao malandro e/ou ao compositor que através do bom humor, fala em um momento que se exige do brasileiro o “discurso sem voz”: “Vamos homenagear/Todo aquele que nos empresta sua testa/Construindo coisas pra se cantar” , ou ainda, “Viva aquele que se presta a esta ocupação/Salve o compositor popular”. De Walter Franco, a segunda música faz referência clara à censura, que podava o diálogo do artista com o mundo, silenciando-o. A própria capa do álbum traz consigo uma força, uma garra. Um grito de resistência entoado através do ato (político) de cantar. Por esse conjunto de elementos, “Sinal Fechado” tornou-se um marco na luta contra o Regime Militar.
"Me Deixe Mudo" A censura e a Música Popular Brasileira nos anos 70.
Em 1964, instaurou-se no Brasil a ditadura militar, que gerou uma série de ações arbitrárias de efeitos profundos e duradouros. Quatro anos depois, o General Costa e Silva assinava o Ato Institucional n° 5 que acirrava a repressão do regime militar brasileiro, tornando-se marco do momento mais severo da ditadura. O AI-5 deu poder aos governantes para punir os inimigos do regime ou como tal considerados. Antes disso, o governo já possuía um instrumento oficial para liberar (ou não) as músicas que poderiam ser executadas ou gravadas por meio da Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP). Esta prática acabou provocando uma ruptura abrupta das experiências musicais que estavam sendo produzidas durante toda a década de 60, da Bossa Nova ao Tropicalismo.
O tumultuado cenário brasileiro tornou-se campo fértil para o surgimento de uma “frente ampla musical”, reunida pela ânsia de protestar contra violência e a intolerância política da ditadura, a grosso modo contrapondo-se à Bossa Nova - mais empenhada em trabalhar os elementos melódicos e rítmicos da canção do que propriamente letras rebuscadas. Esta nova vertente empenhou-se em produzir músicas bem mais agressivas, de denúncia e de protesto. A temática não era mais “o amor, o sorriso e a flor”, mas a tortura, o medo e a censura. Fez-se da arte um manifesto por liberdade e justiça social. Segundo Napolitano (2002:70), “não havia mais lugar para experimentalismos e nem para o surgimento de novos gêneros e estilos, ao menos a partir de 1972.”(1)
Essa nova realidade permitiu que as tensões internas dentro da música brasileira fossem serenadas, incorporando no seu seio artistas antes considerados “rivais”. Foi o caso dos tropicalistas, Caetano Veloso e Gilberto Gil, até então rotulados pela esquerda de alienados foram inseridos no movimento. Iniciava-se um processo de “institucionalização” da MPB. O A1-5 exerceu um papel dúbio nesse trajeto: fez emergir um espaço de debate político em tempos de forte coerção; por outro lado, atravancou seu desenvolvimento. O exílio de artistas de renome impediu a rápida consolidação do “produto” MPB e a censura dificultava o atendimento à demanda por canções engajadas politicamente. A produção e a divulgação das obras foram dificultadas no mercado brasileiro.
A ação castradora da censura tornava-se cada vez mais implacável, marcando profundamente a produção cultural dessa geração de artistas e intelectuais, problema que só foi sanado após 1978. Em entrevista a Revista Veja, no ano de 1976, Chico fez a seguinte declaração:
Chico Buarque e Toquinho nos tempos de exílio
na Itália , durante o regime militar, quando a
dupla compôs o Samba de Orly: 'Não diga
nada, que me viu chorando, e pros da pesada
diz que eu tô voltando...'
A censura tem de acabar e não voltar nunca mais. Ela mutila todas as características de uma época. Esses meninos que estão começando a fazer música agora. Já imaginou? Se nas primeiras tentativas, como tem havido tantas — e tantas que ninguém nem sabe — tudo já vem proibido, isso produz a monstruosidade da autocensura, fatal a qualquer tipo de atividade criadora. Há uma geração que nasceu dentro da censura, para a qual o certificado de liberação é tão normal e necessário quanto a carteira de identidade. Para mim, para uma geração que se criou quase que sem censura, é chocante ter de mandar textos, às vezes muito íntimos — toda criação requer uma entrega muito particular — , para um funcionário examinar, dizer se pode ser divulgado ou não. Com o garoto que surge agora não é assim. Por isso que tem tanta gente compondo em inglês, pois é mais fácil de passar. ‘Da próxima vez vou procurar acertar, pois parece que fiz algo de muito errado.’ Esse é capaz de ser o raciocínio do garoto que começa e se vê censurado.(2)
(1) A partir do final da década de 60, a MPB adquiriu o status de indicador social de bom gosto. Com o advento da década de 70, começou a se institucionalizar. A classificação MPB engloba uma imensa diversidade de gêneros e estilos musicais. Ver: NAPOLITANO, Marco. História & Música, 2002, p. 69-75. (2)Revista Veja, 26/10/76. Entrevista de Chico Buarque concedida à Antônio Chrysóstomo.