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| Angeli. |
terça-feira, 15 de novembro de 2011
E a República Brasileira faz 122 anos...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Se cada cabeça é um mundo, cada um é muito mais
Hoje, após a palestra do Prof. Giorgio Lacerda e o debate que se seguiu sobre diversidade, fiquei com uma música na cabeça.
"Se foi para diferenciar
"Se foi para diferenciar
Que Deus criou a diferença
Que irá nos aproximar
Intuir o que ele pensa
Se cada ser é só um
E cada um com sua crença
Tudo é raro, nada é comum
Diversidade é a sentença
Que seria do adeus
Sem o retorno
Que seria do nu
Sem o adorno
Que seria do sim
Sem o talvez e o não
Que seria de mim
Sem a compreensão
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de deus
A vela no breu
A chama da diferença
A humanidade caminha
Atropelando os sinais
A história vai repetindo
Os erros que o homem trás
O mundo segue girando
Carente de amor e paz
Se cada cabeça é um mundo
Cada um é muito mais
Que seria do caos
Sem a paz
Que seria da dor
Sem o que lhe apraz
Que seria do não
Sem o talvez e o sim
Que seria de mim...
O que seria de nós
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de deus
A vela no breu
A chama da diferença."
(Lenine. Diversidade).
Que irá nos aproximar
Intuir o que ele pensa
Se cada ser é só um
E cada um com sua crença
Tudo é raro, nada é comum
Diversidade é a sentença
Que seria do adeus
Sem o retorno
Que seria do nu
Sem o adorno
Que seria do sim
Sem o talvez e o não
Que seria de mim
Sem a compreensão
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de deus
A vela no breu
A chama da diferença
A humanidade caminha
Atropelando os sinais
A história vai repetindo
Os erros que o homem trás
O mundo segue girando
Carente de amor e paz
Se cada cabeça é um mundo
Cada um é muito mais
Que seria do caos
Sem a paz
Que seria da dor
Sem o que lhe apraz
Que seria do não
Sem o talvez e o sim
Que seria de mim...
O que seria de nós
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de deus
A vela no breu
A chama da diferença."
(Lenine. Diversidade).
terça-feira, 8 de novembro de 2011
De 1789 a 1989: futuros possíveis
Nessa semana, discuti no primeiro e no terceiro ano, respectivamente, os temas Revolução Francesa e Guerra Fria. O que esses dois temas possuem em comum? Qual a importância da Revolução Francesa para os conflitos ideológicos do século XX? Pensando nessas questões, convido-os a uma viagem com data de início e de chegada – de 1789 a 1989.
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| Copérnico. De revolutionibus orbium coelestium, 1543. |
Relembrando as aulas no primeiro ano, a expressão "revolução" foi usada pela primeira vez na obra de Copérnico, De revolutionibus orbium coelestium, de 1543, para caracterizar um movimento cíclico e necessário dos astros. Especificamente, a trajetória orbital dos planetas em torno do sol. A concepção de “revolução” como um movimento cíclico se coaduna à própria relação com o tempo estabelecida naquele momento. O tempo era visto como um movimento cíclico, onde a história ocuparia a função de selecionar e guardar seus exemplos para as próximas gerações. De acordo com Koselleck (2006), mesmo que o Cristianismo tenha inaugurado uma perspectiva de tempo linear – do nascimento de Cristo (momento único e irrepetível) à Salvação -, ainda sim a concepção cíclica do tempo deixa seus resquícios. A história secular passa a ser uma sucessão de acontecimentos que se repetem (sucessão de governos, guerras e etc.), cabendo o tempo linear apenas àqueles que possuem a vida eterna e olham com indiferença os eventos do mundo pagão, dirigindo sua perspectiva de futuro para a promessa de a vida eterna.
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Eugène Delacroix. A Liberdade guiando o povo. Óleo sobre tela, 260 cm × 325 cm. Paris: Museu do Louvre. |
É com a Revolução Francesa que o termo “revolução” passa a significar a emergência de algo novo sem precedentes, da mesma forma como se processou a mudança semântica da palavra história para História - da forma singular de história como uma conexão de acontecimentos para a concepção de História como um processo de sentido imanente. Desta forma, a palavra “revolução” passou de um termo que podia englobar diversas revoluções para um movimento ímpar: a Revolução. A Revolução Francesa torna-se, portanto, a origem e o destino da História. No limite desse processo, a Revolução incorpora a própria História, na medida em que a história universal é a história da Revolução Francesa em suas várias etapas (KOSELLECK, 2006). O socialismo ancora-se como herdeiro da Revolução Francesa, responsável pela conclusão de seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. O socialismo é tomado como etapa natural da História, cujo movimento é irreversível, cabendo aos homens somente a tarefa de acelerar seu curso. Nessa perspectiva, a Revolução é legítima e em seu nome todos os meios são legítimos, inclusive o uso da violência e do terror, como no governo de Stálin. Segundo Koselleck (2006, p.77), “a relação entre as palavras e seu uso é mais importante para a política do que qualquer outra arma”.
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Stálin: o capitão. Aquele que guia o povo, que os direciona ao caminho correto e próspero. |
Segundo o historiador Eric Hobsbawm (1995), o século XX foi marcado pela luta do capitalismo para se manter, e, do socialismo para se instalar e conduzir a História ao seu futuro – o comunismo. Entretanto, nesse combate, o capitalismo findou o século XX mais hegemônico que nunca. E, mais recentemente, temos acompanhado os efeitos da crise econômica nos EUA e na Europa, assim como o nascimento de protestos contra o sistema capitalista em todo o mundo (Imagens aqui).
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| Propaganda do governo americano contra o comunismo. |
Durante a Guerra Fria o mundo foi dividido entre dois blocos: o capitalista (EUA, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria e Grécia) e o socialista (URSS, Cuba, China, Coréia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Iugoslávia, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia), assim definido de maneira bem geral. Diversos autores sublinham a inexistência de um perigo real de destruição durante a Guerra Fria. De acordo com Hobsbawm (1995), a URSS não representava um perigo real para o bloco capitalista, pois assumiu durante o período uma postura defensiva. Talvez pela certeza de que a história seguiria o seu curso natural e inalterável em direção ao comunismo. Ainda de acordo o historiador inglês, os EUA assumiram uma atitude agressiva frente ao socialismo, promovendo uma Caça às Bruxas para angariar votos nas eleições.
De 1945 a 1953, o socialismo soviético vivia seu momento de expansão, marcando posição com a Guerra da Coréia (1950-1953). Segundo Eric Hobsbawm (1995) e Daniel Aarão Reis (2008), até a morte de Stálin em 1953 – que acreditava na substituição inevitável do capitalismo pelo comunismo -, o regime socialista passava por seu apogeu, estendido até a vitória sobre os EUA na Guerra do Vietnã (1959-1975). O mundo marchava para o socialismo.
Em 1985, Gorbatchev dá início à reconstrução soviética – perestroika. Entre suas principais medidas estão: a diminuição do investimento e da produção armamentista; a busca de um equilíbrio entre o pesado centralismo estatal e a autonomia das empresas; transparência na gestão do governo – glasnost. Existem muitas divergências historiográficas sobre os fatores impulsionadores das reformas comandadas por Gorbachev na URSS, as principais são: a pluralidade cultural que impedia a criação de uma unidade nacional (Cf: Hélène Carrère d’Encausse); a formação da burocracia como uma nova classe explorada simpatizante aos ideais capitalistas (Cf: MilovanDjilas); e, a queda da taxa de crescimento da União Soviética em virtude dos altos gastos investidos na corrida armamentista (Cf: Holloway e Hobsbawm). Muito divulgadas na mídia à época, duas pretensas causas são duramente questionadas pelo historiador Ângelo Segrillo (2000): as pressões internas por maior abertura política; e, o descontentamento popular gerado pelo empobrecimento dessa camada social. Para o autor, as causas da perestroika estão no declínio econômico causado pela incapacidade da União Soviética de acompanhar o desenvolvimento tecnológico experimentado pelos demais países, em especial a EUA, hipótese também levantada por Hobsbawm ao lado de outras.
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| Representação do Partido Comunista da URSS, no final da década de 80. |
A reestruturação da União Soviética a partir da década de 80 resultou em um verdadeiro “furacão” político, social e econômico, na medida em que as mudanças naquele país resultaram na reestruturação do equilíbrio de poder e na expressiva emergência do neoliberalismo pelo mundo. A nova orientação política e econômica da URSS trouxe o discurso neoliberal para o centro do debate. Nas eleições pós-perestroika realizadas no Brasil, por exemplo, o debate sobre a questão da privatização foi marcado por referências à União Soviética (SEGRILLO, 2000).
Todas as medidas executadas por Gorbatchev geraram críticas ferrenhas ao seu governo, acusando-o, principalmente, de trair o socialismo ou de atrasar a marcha da História. No ano de 1989, a última barreira do capitalismo na Europa Central desmorona. A queda do muro de Berlim instaurou um tempo de incertezas.
Capital do Terceiro Reich e dividida após a Segunda Guerra, a cidade de Berlim representa bem o descentramento experimentado após 1989. Durante toda a década de 90, uma intensa discussão e um grande investimento foram direcionados para projetos urbanísticos e museológicos na área onde se fixava o muro. O que fazer? Que relações manter com o passado, mas também e, principalmente, com o futuro? Monumentalizar o passado ou construir um novo presente? Como nos apontou o historiador francês François Hartog (2003), Berlim transformou-se em uma cidade emblemática, lugar de memória, marcada, assim como toda a sociedade ocidental, pela necessidade do esquecimento e o dever da memória. A cidade apresenta-se entre vários regimes de tempo, esboçando um tenso diálogo com seu passado e lançando-se timidamente no futuro.
Por fim, deixo um vídeo tocante. Em novembro de 1989, sentado em frente a uma das partes ainda erguidas do muro de Berlim, um senhor toca seu violoncelo. Esse senhor é o músico russo Rostropovich, considerado um dos melhores violoncelistas do século XX. Após anos de luta pela liberdade de expressão em seu país e de ver vários amigos presos, Rostropovich fugiu da URSS em 1974 e teve sua cidadania cassada. Quando questionado os motivos que o levaram até aquele lugar, naquela data, ele apenas disse: "Foi o que meu coração ditou".
Bibliografia:
HARTOG, François. Régimes d'historicité. Présentisme et expériences du temps. Paris: Seuil, 2003.
HOBSBAWM, Eric J. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.
REIS FILHO, Daniel Aarão. Crise e Desagregação do socialismo. In: FERREIRA, Jorge; REIS FILHO, Daniel Aarão; ZENHA, Celeste. (Orgs.). O século XX. O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. 4. ed. V. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
SEGRILLO, Ângelo. O Declínio da União Soviética. São Paulo/Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.
HARTOG, François. Régimes d'historicité. Présentisme et expériences du temps. Paris: Seuil, 2003.
HOBSBAWM, Eric J. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.
REIS FILHO, Daniel Aarão. Crise e Desagregação do socialismo. In: FERREIRA, Jorge; REIS FILHO, Daniel Aarão; ZENHA, Celeste. (Orgs.). O século XX. O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. 4. ed. V. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
SEGRILLO, Ângelo. O Declínio da União Soviética. São Paulo/Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Hoje é o Dia D - Dia de Drummond
A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
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