O Programa de Incentivo à Qualidade do Cinema Brasileiro (PAQ/ANCINE) contemplou diversas instituições educacionais com mais de 100 títulos de filmes, todos com autorização das produtoras à ANCINE permitindo sua exibição. O objetivo do PAQ é divulgar a produção audiovisual brasileira.
Os DVDs já estão cadastrados na base Sophia (http://www.biblioteca.cefetmg.br/) e podem ser objeto de empréstimo, desde que seja respeitada a classificação etária indicativa do filme. Aproveito a oportunidade para divulgar que nossa instituição também conta com duas coleções: “Passeio pelo patrimônio”, produzido pelo Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO; e “Os dias que abalaram o mundo”, documentário produzido pela BBC.
A biblioteca está aberta de segunda a quinta-feira, de 7h às 21h. Na sexta-feira, de 7h às 17hs.
Cena do filme "Fahrenheit 451" , de F. Truffaut, baseado na
obra
homônima de Ray Bradbury.
Como
se não faltassem problemas suficientes na educação, mais uma vez nos
defrontamos com uma caça as bruxas ao Monteiro Lobato (Leia aqui). Vai ficar impossível lecionar e despertar algum
espírito crítico se continuarmos a silenciar as desigualdades sociais, o
preconceito, enfim, a própria história.
Parece-me
tão óbvio que o encantamento da literatura e talvez sua função na escola seja a
de propiciar o estranhamento, a imersão em outra experiência... A apropriação
de significações. Será que esse estranhamento não deveria ser o impulsionador
de discussões sobre o universo tratado na obra? O motor dessa troca? Será que
ainda se acredita que exista um autor soberano e atemporal que se impõe sobre
um leitor passivo?
Ao
invés de transformar o mundo em um comercial de margarina, não seria
infinitamente mais interessante mexer na ferida sem pudor ou moralismo? Não se
pode tratar o racismo como se ele fosse semeado por esta ou aquela obra, o
racismo está no nosso dia a dia, escondido atrás de uma brincadeira ou
protegido pela segurança das confidências na alcova. O dito racismo de
Monteiro Lobato nasceu em uma atmosfera em que estabelecer o sentido da
miscigenação era questão de ordem para intelectuais brasileiros. Um mundo que
tomava a eugenia e a higienização dos espaços públicos como políticas de
estado. Não seria papel do professor discutir essas questões? Ou será que ainda
julgamos que a função do professor é transmitir conhecimento a seres
desprovidos de qualquer saber e espírito crítico, que absorvem obras e
informações como esponjas? Se for esse o caso, o Estado pode fornecer um
exemplar de “Pollyanna”
a cada cidadão e fechar as escolas.
Fico
extremamente preocupada com essa ação de “jardinagem”. Aparar arestas,
escamotear problemas sociais e podar obras incômodas ou inconvenientes, até
hoje não resultou em boa coisa. E o pior, retira o foco do problema central: a criação de políticas de promoção de igualdade racial. Se o professor tem segurança para oferecer a
leitura de Monteiro Lobato aos seus alunos, que seja feito, combater o racismo
desnudando-o parece-me a estratégia mais acertada. Mas do jeito que a coisa vai
é melhor esconder os livros por que o Index está
em fase de elaboração e a fogueira não tarda a começar.
Sugestões:
* "Fahrenheit
451" (Direção: François Truffaut, 1966): Para quem
conhece o filme, é impossível falar de censura a obras literárias e não lembrar
desse clássico.
Sinopse: Em
um Estado totalitário em um futuro próximo, os "bombeiros" têm como
função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi
convencionado que literatura um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar
Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma
mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer
viva. Quem
ainda não conhece ou quer revê-lo, basta clicar aqui para
assisti-lo no Youtube.
Além
do filme, no ano passado, o livro de Ray Bradbury ganhou uma adaptação para HQ. Download.
* "Racismo em Monteiro Lobato": Entrevista com a pesquisadora Marisa Lajolo sobre o tema.
* Sobre a questão racial na obra de Monteiro Lobato:
NIGRI,
André. MonteiroLobato e o Racismo. Cartas inéditas reforçam
que o autor do Sítio do Picapau Amarelo se entusiasmou com a eugenia - pretensa
ciência que ajudou a embasar o nazismo e o holocausto. Revista Bravo!,
Maio de 2011.
HABIB,
Paula Arantes Botelho. Eis o mundo encantado que Monteiro Lobato criou: raça,
eugenia e nação. Dissertação de mestrado / UNICAMP. (Para acessar basta se
cadastrar aqui)
Politicamente incorreto, mordaz, dotado de um humor negro irresistível. Alguns críticos acusaram este filme de fazer uma apologia à violência. Em tempos de massacres no cinema, voltamos a eterna pergunta: o que veio primeiro, o ovo ou a galinha? Será um filme capaz de estimular a violência ou nossa sociedade é que vive imersa na intolerância e na incapacidade do exercício da empatia?
O filme "Batman Ressurge" seria o responsável pelo massacre que aconteceu em uma sala de cinema norte-americana, na última semana? Marilyn Manson seria o responsável pelo massacre em uma escola em Columbine, em 1999, já que os executores eram seus fãs?
Somos impelidos a estabelecer culpados, afastar nossa própria responsabilidade. Ligamos a TV e aceitamos o veredicto. Delegamos à mídia nossa capacidade de pensar. E assim mudando de canal, evitamos pensar.
"God Bless America" nos apresenta o pior da sociedade ocidental, dita "civilizada". Ridiculariza seu estandarte de liberdade. Liberdade essa, encoberta pela manipulação da mídia, pelo consumismo e por uma educação doutrinadora e segregatória. Em uma ação catártica, o filme massacra a mediocridade, a falta de educação e a sociedade do espetáculo.
Assisti, adorei e não sai da sessão distribuindo violência.
Deixarei que o protagonista, o serial killer Frank, faça o convite à sessão:
Meu nome é Frank. Mas isso não é importante. O que importa é: quem são vocês? A América se tornou um lugar cruel e corrompido. Nós recompensamos o que há de mais superficial, mais estúpido e mais barulhento. Não temos mais senso de decência, de vergonha, de certo ou errado. As piores qualidades nas pessoas é o que nos chama atenção e atrai. Mentir e espalhar o medo é bom. Contanto que se ganhe dinheiro. Nos tornamos um país de traficantes de ódio e injustiça. Nós perdemos a nossa bondade. Nós perdemos a nossa alma. O que nos tornamos? Pegamos os mais fracos da nossa sociedade, ridicularizamos e rimos deles por puro entreterimento. Rimos deles até o ponto em que prefiram se matar do que continuar vivendo conosco.
"Por que a civilização não está mais interessada em ser civilizada?"
Inscrições até dia 10/08 Taxa de inscrição por equipe: R$21,00 Regulamento aqui.
Informes: - Cada equipe poderá ter NO MÁXIMO três estudantes. - As equipes deverão escolher um professor orientador. Nesse caso, as equipes devem entrar em contato comigo ou com o Prof. Giorgio Lacerda. - O cadastro é individual e deve ser feito no site do Museu Exploratório de Ciências.