quarta-feira, 8 de junho de 2011

E POR FALAR NO AI-5...

É simplesmente lamentável a manipulação da imprensa. A "grande" mídia insiste em menosprezar a crescente mobilização em apoio aos bombeiros do Rio (Veja aqui). No Jornal Nacional apareceram algumas imagens da Cinelândia, provavelmente gravadas pela manhã. Na reportagem afirmava-se que o protesto restringia-se aos bombeiros e "alguns" simpatizantes. Bom, veja o vídeo abaixo e me diga se é possível que o Corpo de Bombeiros tenha um efetivo dessa expressividade, sem que a população tenha se sensibilizado pelo desrespeito com que esses homens foram tratados? 




Retaliação à ocupação dos bombeiros no Quartel Central da Corporação


Retaliação ao protesto dos bombeiros por melhores salários,
vale-transporte e condições de trabalho adequadas. 

 Os professores da rede estadual do Rio de Janeiro aderiram ao protesto, entendendo que a insatisfação com o desrespeito dispensado pelo governo do Estado com seus servidores não é exclusividade do Corpo de Bombeiros. Os docentes do estado ganham por volta de R$ 700 e não encontram disposição do governador Sérgio Cabral em negociar e atender as reivindicações da categoria. Portanto, os professores entraram em greve por tempo indeterminado e uniram-se as centenas de manifestantes no centro da cidade.

Embora pertença a rede federal de ensino, sou solidaria à causa dos meus colegas de trabalho. Segue abaixo, alguns versinhos enviados por amigo que é professor da rede estadual carioca, duvido que em Minas a coisa seja diferente. É fácil reclamar da má formação de nossos professores estaduais e da sua falta de entusiamo em sala de aula, mas ponha-se no lugar deles um minuto antes de voltar a depreciar esta profissão. Eu amo o meu ofício e tenho muito orgulho dele, mas toda vez que um amigo (a) que leciona nas escolas municipais e estaduais do nosso Brasil demonstra o mesmo profissionalismo e afeto pela profissão fico emocionada e, por vezes, constrangida. 


Eu devia estar contente
Porque fiz graduação, pós, Mestrado e Doutorado
E tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho 700 reais por mês


Eu devia estar alegre e satisfeito
Por receber auxílio transporte
Pela incorporação do Nova Escola
Parcelado em não sei quantas vezes


Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ser um Educador
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido passar num concurso público
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado


Eu devia estar feliz pela SEEDUC
Ter me concedido o sábado
Pra ir ao colégio
Me informar sobre a GIDE


Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
GIDE, Plano de Metas, Meritocracia,
Concurso interno,avaliações externas
Eu acho tudo isso um saco


É você olhar no espelho
Se sentir um monitor
Saber que é Professor
Que só pode usar
O Currículo Mínimo oficial


E você ainda acredita que é um Gestor, Adjunto,
OGT, Coordenador Regional
Que está contribuindo com sua parte
Para melhorar o nosso belo quadro educacional


Eu que não me sento
Dentro da sala de aula
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando o bônus chegar


Porque longe das promessas feitas na eleição
Esconde-se um governo
Que não tem um projeto sério
De Educação.

No fim das contas, quem precisa de bombeiros e professores, não é mesmo? Por que tratá-los com respeito? É isso aí, Sérgio Cabral ... Chame o BOPE novamente e institua o Ato Institucional nº 5 no Estado do Rio de Janeiro. Falta pouco para o senhor suspender de vez todas as liberdades democráticas, como direiro de greve e de livre manifestação.

2 comentários:

Carlos disse...

Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso

Os bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.

historiador disse...

E no oitavo dia Deus criou o Brasil...! Não meu amigo, não foi assim, o nosso país ainda passa por um processo de construção, reconfiguração e organização de instituições, princípios e bases fundamentais para a consolidação de um Estado democrática e de garantia dos direitos fundamentais do cidadão, e de uma sociedade mais igualitária em todos os seus âmbitos. O não estabelecimento dos espaços de diálogo e a não garantia do direito de reivindicação, seja qual for a categoria em questão, marca a dificuldade que ainda temos de superar os resquícios dos longos momentos da História desse país onde o povo, o trabalhador, estiveram privados de todas as garantias mínimas, digo mínimas, de cidadania! Se esse caso dos bombeiros do Rio de Janeiro, independente de tudo o que você considerou, não é reflexo de disso, acho que a os marinheiros, soldados, militares e bombeiros..., devem voltar para o porão e continuar encarando a chibata!

Mestre-Sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre "nas pedras pisadas do cais". A mensagem de coragem e liberdade do "Almirante Negro" e seus companheiros resiste.

O Mestre Sala dos Mares

(João Bosco / Aldir Blanc)
(letra após censura durante ditadura militar)

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

Giorgio Lacerda

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